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terça-feira, 11 de outubro de 2011
Porque o dever de dar igual consideração aos animais independe da avaliação de uma teoria moral específica
(Esclarecimentos ao sr. Hélio Schwartsman a
propósito de sua coluna "Animais têm direitos?" publicada em 29/09/2011 no site
Folha.com)
Luciano Carlos
Cunha[1]
Animais não humanos são explorados pelos humanos das mais diversas
maneiras. Apenas para a produção de carne, laticínios e ovos, bilhões
deles são confinados, torturados e mortos anualmente.
Desde a década de
1970 vem acontecendo um amplo debate dentro da filosofia moral, sobre o
estatuto moral dos animais.
Temos justificativa para usar os animais?
Deveríamos abolir tal uso ou apenas regulamentá-lo para que os animais
sofram menos?
Se prontamente reconheceríamos como moralmente hediondo
fazer o mesmo com seres humanos, o que diferencia os dois casos?
Adiante,
explico o que significa exatamente o princípio da igual consideração e
defendo que nenhum dos argumentos endereçados para se negar igual
consideração aos animais realmente funciona. A conclusão é que, dentre
outras coisas,
temos o dever de abolir a escravidão animal, e não,
meramente regulamentá-la.
Leia mais em http://bit.ly/qptAY6
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Consumo Insustentável - simplesmente lastimável
Fonte:Instituto Nina Rosa
Não faltam estudos para deixar com os cabelos de pé (os que os têm) quem se preocupa com o futuro da espécie humana neste planeta. Num deles, "Marine Ecology Progress Series", da Universidade do Havaí, Camilo Mora afirma que, com o ritmo atual do consumo de recursos no mundo, chegaremos a 2050 com uma população acima de 9 bilhões de pessoas, que precisará, para abastecê-la, de 27 planetas como a Terra. Quem olhar uma publicação recente da revista National Geographic (maio de 2011) talvez encontre ali reforço para a tese, ao saber qual foi o número de animais mortos em um único ano (2009) para serem transformados em alimentos: 52 bilhões de frangos, 2,6 bilhões de patos, 1,3 bilhão de porcos, 1,1 bilhão de coelhos, 633 milhões de perus, 518 milhões de ovelhas, 398 milhões de cabras, 293 milhões de bois, 24 milhões de búfalos asiáticos e 1,7 milhão de camelos.
Não faltam estudos para deixar com os cabelos de pé (os que os têm) quem se preocupa com o futuro da espécie humana neste planeta. Num deles, "Marine Ecology Progress Series", da Universidade do Havaí, Camilo Mora afirma que, com o ritmo atual do consumo de recursos no mundo, chegaremos a 2050 com uma população acima de 9 bilhões de pessoas, que precisará, para abastecê-la, de 27 planetas como a Terra. Quem olhar uma publicação recente da revista National Geographic (maio de 2011) talvez encontre ali reforço para a tese, ao saber qual foi o número de animais mortos em um único ano (2009) para serem transformados em alimentos: 52 bilhões de frangos, 2,6 bilhões de patos, 1,3 bilhão de porcos, 1,1 bilhão de coelhos, 633 milhões de perus, 518 milhões de ovelhas, 398 milhões de cabras, 293 milhões de bois, 24 milhões de búfalos asiáticos e 1,7 milhão de camelos.
Para ler o artigo acesse: http://bit.ly/ootlxU
terça-feira, 2 de agosto de 2011
"O VENENO ESTÁ NA MESA" = 5,2 litros por pessoa por ano
O brasileiro come veneno
veja ao final os links para assistir o fime.
O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira
01/08/2011- Jornal BRASIL DE FATO
Aline Scarso,
da Redação
Silvio Tendler é um especialista emdocumentar a história brasileira. Já o fez apartir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagemem particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.
Em O veneno está na mesa, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicosnos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de de
senvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contraos Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.
Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dosagrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?
Silvio Tendler – Porque a partir deagora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista eescritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João PedroStédile [coordenador do Movimentodos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados comisso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadase respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme fi cou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.
Então seus próximos do cumentários deverão tratar desse tema?
Pra você ter uma ideia, no contrato inicialdesse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem quefalar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida deforma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidadede vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.
Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde dessesagricultores é muito grande...
É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebeo crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.
A impressão que dá é que osbrasileiros estão se envenenandosem saber. Você acha que o fi lmepode contribuir para colocar oassunto em discussão?
Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. Esão duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para quea classe média se convença que tem quelutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto daminha casa tem uma feirinha orgânica eeu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxicochega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.
Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?
Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivemem volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.
No documentário você optoupor não falar com as empresasprodutoras de agrotóxicos. Essa ideia fi cou para um outrodocumentário?
É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalharem breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzemagrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qualeu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.
Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?
Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias paraserem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociaise sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levaresse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que veresse filme.
E expectativa é boa então?
Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.
Foto: Gabriela Nehring
O FILME "O VENENO ESTÁ NA MESA."
Segue os links do filme "O veneno esta na mesa" do cineasta Silvio Tendler.
Documentário denuncia a problemática causada pelos agrotóxicos, e faz parte de um
conjunto de materiais elaborados pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
http://www.youtube.com/watch? v=WYUn7Q5cpJ8&NR=1 Parte 1
http://www.youtube.com/watch? v=NdBmSkVHu2s&feature=related Parte 2
http://www.youtube.com/watch? v=5EBJKZfZSlc&feature=related Parte 3http://www.youtube.com/watch? v=AdD3VPCXWJA&feature=related Parte 4 Divulguem.
A reprodução e multiplicação é livre. Copiem, multipliquem, distribuam nas escolas, sindicatos, igrejas, etc.
01/08/2011- Jornal BRASIL DE FATO
Aline Scarso,
da Redação
Silvio Tendler é um especialista emdocumentar a história brasileira. Já o fez apartir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagemem particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.
Em O veneno está na mesa, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicosnos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de de
senvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contraos Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.
Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dosagrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?
Silvio Tendler – Porque a partir deagora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista eescritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João PedroStédile [coordenador do Movimentodos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados comisso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadase respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme fi cou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.
Então seus próximos do cumentários deverão tratar desse tema?
Pra você ter uma ideia, no contrato inicialdesse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem quefalar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida deforma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidadede vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.
Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde dessesagricultores é muito grande...
É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebeo crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.
A impressão que dá é que osbrasileiros estão se envenenandosem saber. Você acha que o fi lmepode contribuir para colocar oassunto em discussão?
Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. Esão duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para quea classe média se convença que tem quelutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto daminha casa tem uma feirinha orgânica eeu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxicochega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.
Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?
Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivemem volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.
No documentário você optoupor não falar com as empresasprodutoras de agrotóxicos. Essa ideia fi cou para um outrodocumentário?
É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalharem breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzemagrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qualeu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.
Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?
Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias paraserem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociaise sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levaresse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que veresse filme.
E expectativa é boa então?
Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.
Foto: Gabriela Nehring
O FILME "O VENENO ESTÁ NA MESA."
Segue os links do filme "O veneno esta na mesa" do cineasta Silvio Tendler.
Documentário denuncia a problemática causada pelos agrotóxicos, e faz parte de um
conjunto de materiais elaborados pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
http://www.youtube.com/watch?
http://www.youtube.com/watch?
http://www.youtube.com/watch?
A reprodução e multiplicação é livre. Copiem, multipliquem, distribuam nas escolas, sindicatos, igrejas, etc.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Reflexão sobre a Liberdade
Existe a liberdade de falar o que eu quiser
como eu não preciso que nenhum animal seja preso, explorado, nem comido, não preciso MANTER essa última
Só o que eu tento é DEFENDER as outras duas...
Lolita Sala
terça-feira, 12 de julho de 2011
DINHEIRO É PROBLEMA?
Mais uma contribuição da Lolita...
Antigamente dizíamos os homens querendo dizer homens+mulheres, ainda
lemos sobre “os egípcios” como se nunca tivesse havido egípcias.
Igualmente falamos em “dinheiro” para nos referir a várias coisas
muito distintas e nisto reside uma grande parte da dificuldade de
superar o que temos que superar: nós não identificamos bem o que
realmente precisa mudar, quando dizemos que o mundo precisa mudar ou
que um outro mundo é possível, aliás, urgente.
Parte do problemas que teremos de enfrentar se quisermos, finalmente,
evoluir de um planeta inconsciente e socialmente injusto para um
coletivo harmonioso, mais livre e mais responsável, portanto mais
consciente, é desmascarar nossos inimigos íntimos, esses inimigos a
quem damos colo e alimentamos cotidianamente, sem nos darmos conta,
talvez abrigados num sótão, ou debaixo dos nossos lençóis, no baú de
lembranças da infância... onde quer que eles estejam, precisamos
começar a identificá-los e colocá-los nos seus devidos lugares.
Então, sobre a questao do dinheiro, uma boa pergunta para começar
seria “QUAL dinheiro, cara-pálida?” De que dinheiro estamos falando?
...afinal as diferentes épocas e lugares usam sistemas (de pagamento;
de unidade de avaliação e conta; e de reserva de valor material) muito
distintos, com características distintas, características que geram
procedimentos distintos, facilitam certas interações, e dificultam
outras, promovendo determinados valores, sentimentos e condutas, e
desincentivando ou penalizando outros. (O livro O Futuro do Dinheiro,
de Bernard Lietaer explora formidavelmente este tema)
As moedas estatais-nacionais que costumamos ter em mente quando
falamos indiscriminadamente de “dinheiro” são uma particularidade
recente na história.
Dinheiro. em si, não tem nada de ruim, é um invento bem prático. O que
é indiscutivelmente ruim é o dinheiro fiduciário, dogmático, velado,
jurante, acumulador, escravizador, que está sendo criado e mantido em
circulação hoje a bordo de um acordo entre nossos governos e certas
casas bancárias que estão no comando regendo todo o sistema
financeiro.
Fiduciário: não se come esse dinheiro, não se veste esse dinheiro,
isto é: o dinheiro de hoje não serve para mais nada, não tem outra
utilidade ou valor senão intermediar trocas (antes da moeda
fiduciária, foram usadas várias diferentes mercadorias de ampla
aceitação como meio de troca universal – a moeda não começou sendo um
símbolo puro como é hoje). O problema não está em ser fiduciário, isto
é, em ser exclusivamente algo que se aceita porque é um tipo de
mico-preto que confiamos que vamos poder passar adiante, vai ser
aceito novamente quando quisermos adquirir algo. O problema é:
Em quem confiamos?
Dogmático: nós mortais aceitamos o dólar, por exemplo, (apesar de tudo
– e esse tudo sobre o dólar seria um vasto livro à parte) mesmo os EUA
tendo abandonado unilateralmente a promessa feita em Bretton Woods, de
converter um dólar por uma quantidade fixa de ouro, quando criaram o
sistema atual (com o FMI para tomar conta). Aceitamos estritamente
porque é a moeda emitida pela autoridade suprema – os Estados Unidos
da América, o império materialmente mais poderoso principalmente em
termos bélicos e que tem a mais acachapante influência nos níveis do
que hoje chamamos conhecimento. Da mesma forma os brasileiros aceitam
o real porque ele é emitido pelos sumos poderosos... (quem mesmo??) e
ninguém questiona... E não se fala mais nisso!
Velado: não mais que um punhado de pessoas já parou para pensar sobre
o que realmente é o dinheiro, e quem tenta, enfrenta muitos
obstáculos, afinal, as escolas não ensinam, as faculdades criam e
difundem postulações que servem perfeitamente ao propósito de nos
impedir de chegar no âmago das verdades sobre os dinheiros usando um
vocabulário, uma sintaxe e raciocínios impenetráveis para iniciados e
não iniciados. E os meios de comunicação de massa se encarregam de
jogar toneladas de holofotes sobre as fachadas que encobrem quem cria,
quem lucra e como lucra com o atual sistema monetário mundial, quais
os efeitos peculiares que esse dinheiro-de-hoje tem sobre as
feições da nossa vida econômica, e social como um todo.
Jurante: o dinheiro que conhecemos e cremos ser o único possível, é
emitido através da emissão de títulos de dívida - com juros - muito
embora durante 99% da história conhecida os juros tenham sido banidos
pelas leis dos humanos e dos deuses (as escrituras das três grandes
religiões do planeta - judaismo, cristianismo e islamismo -
invariavelmente abominam a usura). Os problemas dos juros são muitos
vou citar só 5. Começa que não temos como escapar, eles estão
embutidos em todos os preços (devido aos financiamentos dos produtores
e os impostos com os quais pagamos as despesas de juros dos governos)
e portanto todos estamos sempre pagando juros, com o agravante de que
quanto mais pobres mais juros ocultos ou contraídos pagamos
percentualmente sobre nossa renda. E eles (2) são impossíveis de
pagar, pois o colocado em circulação é somente o crédito, o valor dos
juros não é emitido.... (3) restando como opções para os endividados
usuários das moedas estatais nacionais jurantes disputarem entre si,
competir pelo dinheiro artificialmente tornado escasso, acumular,
entesourar. Matematicamente é fácil entender que as dividas de (4)
juros sobre juros crescem cada vez mais rápido, exponencialmente, são
uma impossibillidade, afinal o fruto do trabalho das empresas e
pessoas não pode crescer indefinidamente e cada vez mais rápido.. E
(5) por último, não menos importante é o fato de que os juros drenam a
renda de quem não tem para quem não precisa. É o mecanismo que impõe
competição, acumulação e concentração. É o DNA da desigualdade. Quem
quiser enfrentar estes problemas precisa começar a entender as moedas
estatais-nacionais jurantes e seus sacerdotes
Escravizador: porque para pagar aos fabricadores de dinheiro as dividas
de juros, sempre haverá agentes econômicos não fabricadores de dinheiro
que não verão outra opção senão buscar mais uma dose – com juros.
Mas dinheiro pode ser e já está sendo um instrumento transparente,
auto-gerido, injurante, libertário, criador de solidariedade e
fartura. Já há hoje em circulação moedas complementares com vários
propósitos e características específicas. Vale a pena se informar..
Lolita Sala
Antigamente dizíamos os homens querendo dizer homens+mulheres, ainda
lemos sobre “os egípcios” como se nunca tivesse havido egípcias.
Igualmente falamos em “dinheiro” para nos referir a várias coisas
muito distintas e nisto reside uma grande parte da dificuldade de
superar o que temos que superar: nós não identificamos bem o que
realmente precisa mudar, quando dizemos que o mundo precisa mudar ou
que um outro mundo é possível, aliás, urgente.
Parte do problemas que teremos de enfrentar se quisermos, finalmente,
evoluir de um planeta inconsciente e socialmente injusto para um
coletivo harmonioso, mais livre e mais responsável, portanto mais
consciente, é desmascarar nossos inimigos íntimos, esses inimigos a
quem damos colo e alimentamos cotidianamente, sem nos darmos conta,
talvez abrigados num sótão, ou debaixo dos nossos lençóis, no baú de
lembranças da infância... onde quer que eles estejam, precisamos
começar a identificá-los e colocá-los nos seus devidos lugares.
Então, sobre a questao do dinheiro, uma boa pergunta para começar
seria “QUAL dinheiro, cara-pálida?” De que dinheiro estamos falando?
...afinal as diferentes épocas e lugares usam sistemas (de pagamento;
de unidade de avaliação e conta; e de reserva de valor material) muito
distintos, com características distintas, características que geram
procedimentos distintos, facilitam certas interações, e dificultam
outras, promovendo determinados valores, sentimentos e condutas, e
desincentivando ou penalizando outros. (O livro O Futuro do Dinheiro,
de Bernard Lietaer explora formidavelmente este tema)
As moedas estatais-nacionais que costumamos ter em mente quando
falamos indiscriminadamente de “dinheiro” são uma particularidade
recente na história.
Dinheiro. em si, não tem nada de ruim, é um invento bem prático. O que
é indiscutivelmente ruim é o dinheiro fiduciário, dogmático, velado,
jurante, acumulador, escravizador, que está sendo criado e mantido em
circulação hoje a bordo de um acordo entre nossos governos e certas
casas bancárias que estão no comando regendo todo o sistema
financeiro.
Fiduciário: não se come esse dinheiro, não se veste esse dinheiro,
isto é: o dinheiro de hoje não serve para mais nada, não tem outra
utilidade ou valor senão intermediar trocas (antes da moeda
fiduciária, foram usadas várias diferentes mercadorias de ampla
aceitação como meio de troca universal – a moeda não começou sendo um
símbolo puro como é hoje). O problema não está em ser fiduciário, isto
é, em ser exclusivamente algo que se aceita porque é um tipo de
mico-preto que confiamos que vamos poder passar adiante, vai ser
aceito novamente quando quisermos adquirir algo. O problema é:
Em quem confiamos?
Dogmático: nós mortais aceitamos o dólar, por exemplo, (apesar de tudo
– e esse tudo sobre o dólar seria um vasto livro à parte) mesmo os EUA
tendo abandonado unilateralmente a promessa feita em Bretton Woods, de
converter um dólar por uma quantidade fixa de ouro, quando criaram o
sistema atual (com o FMI para tomar conta). Aceitamos estritamente
porque é a moeda emitida pela autoridade suprema – os Estados Unidos
da América, o império materialmente mais poderoso principalmente em
termos bélicos e que tem a mais acachapante influência nos níveis do
que hoje chamamos conhecimento. Da mesma forma os brasileiros aceitam
o real porque ele é emitido pelos sumos poderosos... (quem mesmo??) e
ninguém questiona... E não se fala mais nisso!
Velado: não mais que um punhado de pessoas já parou para pensar sobre
o que realmente é o dinheiro, e quem tenta, enfrenta muitos
obstáculos, afinal, as escolas não ensinam, as faculdades criam e
difundem postulações que servem perfeitamente ao propósito de nos
impedir de chegar no âmago das verdades sobre os dinheiros usando um
vocabulário, uma sintaxe e raciocínios impenetráveis para iniciados e
não iniciados. E os meios de comunicação de massa se encarregam de
jogar toneladas de holofotes sobre as fachadas que encobrem quem cria,
quem lucra e como lucra com o atual sistema monetário mundial, quais
os efeitos peculiares que esse dinheiro-de-hoje tem sobre as
feições da nossa vida econômica, e social como um todo.
Jurante: o dinheiro que conhecemos e cremos ser o único possível, é
emitido através da emissão de títulos de dívida - com juros - muito
embora durante 99% da história conhecida os juros tenham sido banidos
pelas leis dos humanos e dos deuses (as escrituras das três grandes
religiões do planeta - judaismo, cristianismo e islamismo -
invariavelmente abominam a usura). Os problemas dos juros são muitos
vou citar só 5. Começa que não temos como escapar, eles estão
embutidos em todos os preços (devido aos financiamentos dos produtores
e os impostos com os quais pagamos as despesas de juros dos governos)
e portanto todos estamos sempre pagando juros, com o agravante de que
quanto mais pobres mais juros ocultos ou contraídos pagamos
percentualmente sobre nossa renda. E eles (2) são impossíveis de
pagar, pois o colocado em circulação é somente o crédito, o valor dos
juros não é emitido.... (3) restando como opções para os endividados
usuários das moedas estatais nacionais jurantes disputarem entre si,
competir pelo dinheiro artificialmente tornado escasso, acumular,
entesourar. Matematicamente é fácil entender que as dividas de (4)
juros sobre juros crescem cada vez mais rápido, exponencialmente, são
uma impossibillidade, afinal o fruto do trabalho das empresas e
pessoas não pode crescer indefinidamente e cada vez mais rápido.. E
(5) por último, não menos importante é o fato de que os juros drenam a
renda de quem não tem para quem não precisa. É o mecanismo que impõe
competição, acumulação e concentração. É o DNA da desigualdade. Quem
quiser enfrentar estes problemas precisa começar a entender as moedas
estatais-nacionais jurantes e seus sacerdotes
Escravizador: porque para pagar aos fabricadores de dinheiro as dividas
de juros, sempre haverá agentes econômicos não fabricadores de dinheiro
que não verão outra opção senão buscar mais uma dose – com juros.
Mas dinheiro pode ser e já está sendo um instrumento transparente,
auto-gerido, injurante, libertário, criador de solidariedade e
fartura. Já há hoje em circulação moedas complementares com vários
propósitos e características específicas. Vale a pena se informar..
Lolita Sala
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